Poesias

"A beleza das coisas está no espírito de quem as contempla. " (David Hume)

"É preciso saber olhar para os olhos de uma criança para saber o que vai na alma." (Torrente Ballester)




quinta-feira, 15 de abril de 2010

Afortunada Agonia

Tuas palavras, tão ocas sentidas
Fortuna humana de tanto o querer!
Calando-se bocas fechadas num beijo,
Contendo horas passadas, contidas…

Descanso na noite, caminhas sem ver
Perdurando chorosa sem o saber.
Relembra depois, o rosto que apraz.
Ignorando experiências, falsas perdidas!

Afortunada agonia que tanto sofria…
Murmúrios de gritos, brotando na paz.
Percorre a noite, de desejo apagada.
Circula de louca saudade, pacata...



Carla Bordalo

Passado

Seria tão bom, se ao cruzar a estrada…
O passado, eu o encontrasse!
E quando estive tão só
Todo o tempo o esperasse…
Num local cheio de gente!

Mas foge, assim como o presente também.
O porquê, não se compreende tão bem.



Carla Bordalo

Amor calado

Sou a luz e o tempo
Estou no ar que te conduz
Como um pássaro que voa
Entre a chuva e o vento
Pela flor que seduz.

Sou a alma e a dor…
Estou no fervor da calma
Como o fogo que arde
No calor de uma chama
Ou no cair da tarde.



Carla Bordalo

O espelho

Se um dia quiseres algo,
Fá-lo sempre por bem.
Não esperes que a vida
Te dê tudo o que não tem.

Olha ao espelho e vê
O caminho percorrido,
Olha também as mágoas,
Que uma mãe tem sofrido.

Olho para ti e vejo,
Olhos de fúria e azedume.
Não vejo em ti a loucura
De quereres chegar ao cume.

Se tiveres fome, um dia
Nem sequer peças perdão,
Estragaste a tua vida
Com actos de ingratidão.

Se quiseres ter um dia,
Amor e felicidade, também
Não te esqueças da alegria
Que roubaste de alguém…



Carla Bordalo

Poema

Um poema
Uma beleza
Repleto de imaginação
Um poema
Onde mora a tristeza
Ou alegria do coração



Carla Bordalo

Talvez

Talvez um dia!
Talvez um dia me encontres na rua…
E sem eu saber, um dia, me obrigues a parar!
Talvez venhas procurar a minha amizade…
E o carinho do meu olhar!

Talvez…
Talvez um dia repares em mim…
E sem querer, um dia, me faças voltar!
Talvez venhas procurar a minha ternura…
No meu jeito de abraçar!

Talvez…
Talvez ainda saibas o meu nome…
E sem notar, um dia, mo dês a escutar!
Talvez venhas procurar o calor do meu peito…
Numa forma de amparar!

Talvez…
Talvez um dia ainda penses…
Iludida, que não te soube esquecer!
E aí, aí sim…
Tu saberás o que é sofrer!



Carla Bordalo

Sofrimento

Esperança a mais me deram;
Mais uma, mas é pouca.
Tudo me dão, e me tiram
E tudo me tiram por outra.

Vida esta só de esperas
Quem pensas que és afinal?
Já não gosto da viagem
Nem seguir por mais além.

Tudo me tiram, me abandona.
Deus não existe para mim.
Só penso no que rodeia,
Pensando em mim no fim.

Quem és tu, afinal!
De que é feito esse imortal?
Infinita magoa a minha
Que nem sentida mais o é?

Mágoa sem cicatrizar
Mágoa que nem dó tem.
Sombras rodeiam-me a dançar
Mesmo que meus olhos chorem.

Alma perdida a minha!
Mortificada em pedaços
Mesmo que seja infernal,
Não te quero nos meus braços.

Esperança que me deste:
Janela fechada à tranca,
Como um pássaro esvoaçando
No pleno coração em forca.

Pernas andam sem destino
Procurando o que não há.
Tudo me roubou o mundo
Vida para mim, tão má!

Vida quando eu vou viver?
Mundo, quando recomeçar?
Olho-me à volta sem ver,
Mesmo tendo o que olhar.



Carla Bordalo